O empowerment e a estratégia
Por muitos anos a formulação da estratégia foi colocada em primeiro plano. O excesso demasiado de ferramentas para analisar e construir estratégias fantásticas e empolgantes dominaram as agendas dos executivos do século passado.
Com o passar dos anos os executivos aprenderam que focar exclusivamente na formulação da estratégia é um esforço meramente filosófico sobre o que a empresa deveria ser.
Construir uma estratégia empresarial excelente só compensa se houver uma implementação a altura. O gargalo do sistema está em seu elo mais fraco, como costuma dizer Eliyahu Goldratt. Agora as empresas estão buscando aprender a disciplina da implementação/execução, uma competência essencial para o mundo competitivo e de profundas mudanças.
O empowerment toma um contexto importante na estratégia empresarial. O empowerment consiste em delegar autoridade e responsabilidade para tomar as decisões. No entanto, essas iniciativas de CH podem ser muito perigosas caso sejam implementadas antes de formular e comunicar uma boa visão e estratégia para o futuro da organização.
Por exemplo: Imagine uma empresa na qual a visão foi mal formulada, onde não há um foco claro, nem sobre quais as vantagens competitivas a empresa está procurando buscar. Imagine também um posicionamento um pouco confuso, onde muitas vezes os executivos reforçam a redução dos custos, melhorar as operações, outras vezes, superar as expectativas dos clientes, que em muitos casos se torna conflitantes (o que confunde os colaboradores).
Em uma situação como essa fica muito complicado investir em empowerment. Os funcionários não tem diretrizes sólidas e claras sobre qual suas decisões devem fazer para apoiar a estratégia. Não existe clareza sobre como suas decisões impactam outros aspectos da estratégia da organização e principalmente como suas decisões reforçam o posicionamento competitivo da empresa.
Recentemente tive uma experiência interessante na Starbucks. Fiz um pedido de três itens, no entanto o caixa repetiu um item e acabei recebendo (e pagando) quatro itens. Coloquei que não tinha feito o pedido de um item a mais que havia constado no pedido. Sugeri estornar o pedido ou me dar uma nota de crédito, mas esse processo não seria possível segundo a gerente. Esta para solucionar o problema, pediu pra que eu levasse sem ônus qualquer outro item, me colocou a disposição para escolher. Para garantir o resultado, a gerente disse pra que eu levasse mais dois outros itens a minha livre escolha. Me orientou sobre como utilizar o produto (como esquentar, armazenar caso não coma no momento, etc). Ao final, pediu desculpas, deu um sorriso espontâneo, me chamou pelo nome e agradeceu por comprar na Starbucks.
Resultado: Paguei quatro itens e levei seis itens, sendo os dois últimos itens somados o dobro do item colocado a mais.
Dois aspectos importantes para conseguir um desempenho como esse, a empresa:
- Construiu e comunicou a visão e estratégia da empresa para os colaboradores, agora eles sabem que tipo de decisão devem fazer para executar a estratégia;
- Eliminou as barreiras a implementação da estratégia (existem outras), nesse caso foi o investimento em treinamento e empowerment.
É nesse contexto que o empowerment ganha força na implementação/execução da estratégia. Muitas iniciativas de CH (Capital Humano) podem falhar se negligenciar esse aspecto. As estratégias de CH devem estar alinhadas, e sobretudo, devem facilitar/catalizar/impulsionar a execução da estratégia.