Habib’s: A bem sucedida estratégia de diversificação correlata
Há inúmeras formas de crescer e prosperar nos mercados. No cenário econômico atual, há crescimento em todos os setores. Se olharmos para o setor de alimentos, vemos um crescimento muito forte. O da construção civil nem se fala. O da educação também é promissor. Enfim, quando uma economia está em franco crescimento todos os setores crescem juntos, uns mais, outros um pouco menos, mas a economia como um todo está crescendo.
É muito tentador crescer com base no critério de “oportunidade” quando se trata de um cenário de crescimento sustentado de um país. Por quê? Porque surgem oportunidades de todos os lados. A diversificação não correlata pode dar certo, mas é muito mais difícil do que uma diversificação correlata.
A diversificação correlata é aquela na qual a organização entra em negócios na qual pode compartilhar recursos, processos e know-how com maior intensidade ou que tenha extrema relação com o negócio existente. A diversificação não correlata é aquela na qual a organização entra em negócios muito diferentes dos atuais.
Por exemplo, uma empresa bancária poderia ampliar seus negócios criando uma empresa de seguros. Esse novo negócio está muito interligado com sua atividade bancária. Há inúmeras formas de compartilhar os recursos, processos e know-how para interligar esse novo negócio. Porém, ela pode também começar a produzir geladeiras. Não há praticamente nenhum compartilhamento de recursos, processos e know-how entre os dois negócios. São completamente diferentes.
Segundo Michael Porter, a diversificação correlata tem sido mais eficaz do que a não correlata. O tempo dos executivos são limitados e o gerenciamento de negócios multifacetados é extremamente complicado com a concorrência que estamos vivenciando. É preciso pensar em uma base sólida de diversificação que possibilite o compartilhamento intenso dos recursos, processos e know-how para aumentar as chances de sustentação desse negócio no longo prazo.
O Habib’s claramente optou pela diversificação correlata dos negócios. Se não vejamos:
1. Habib’s é um fastfood que tem como estratégia genérica o baixo custo. Oferece um cardápio limitado e incentiva a venda em massa para conseguir baixos custos, cobrar preços baixos e ainda assim ser lucrativo.
2. Para melhorar suas margens e controlar a qualidade dos insumos, optou por realizar uma integração vertical para trás na cadeia e se torna o maior captador de leite da bacia leiteira de Promissão, a Promilat, localizada no interior de São Paulo.
3. Mais um movimento de integração vertical para trás, agora fabricando massas de pão, com a Arabian Bread. Insumo essencial para o seu negócio principal: venda de esfirras.
4. Voxline. Empresa criada para serviço de delivery. Dessa vez a integração foi para frente na cadeia. Agora pode garantir entregas rápidas para conseguir atingir o volume necessário, sem chatear os clientes com atrasos.
5. Não só busca melhorar as margens, dominando a cadeia de fornecimento para reforçar sua estratégia, como também busca entrar em novos mercados que possam utilizar seu know-how de baixo custo como força de entrada. Cria assim a Ragazzo, um fastfood de cozinha italiana de baixo custo.
6. Possui também a Porto Fino, produtora de sorvetes de baixo custo, vendidas em supermercados.
7. Recentemente, será lançado um novo negócio do grupo de fastfood de baixo custo, só que dessa vez na venda de salgadinhos. Com lojas e investimento (para o franqueado) menores, espera abrir cerca de mil franquias nos próximos anos.
Podemos resumir a estratégia de diversificação do grupo do Habbibs em dois eixos principais:
1. Controlar os custos mais relevantes da cadeia de fornecimento, de modo a atingir uma posição de baixo custo (Promilat, Arabian Bread e Voxline);
2. Diversificação em negócios correlatos (fastfood), que possibilitam o compartilhamento dos mesmos insumos (massa, queijo, etc) e que a estratégia de baixo custo é valorizada pelos clientes-alvo (Ragazzo, Porto Fino e Box30).
Acredito que o grupo Habib’s é um exemplo bem sucedido de uma estratégia de diversificação correlata de negócios. Cada novo empreendimento está fortemente ligado uns aos outros.
Será que o Habib’s teria o mesmo sucesso se tivesse diversificado para a Construção Civil, simplesmente porque é um dos setores de maior crescimento e rentabilidade?
O que vocês acham?